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Reinaldo
Aberto

Quando a história se perde entre os dedos como areia da praia.

24/08/2026
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De visita a Viana do Castelo, tive a oportunidade de conhecer o Convento de São Francisco do Monte, isolado no meio da encosta do Monte de Santa Luzia, no Lugar da Abelheira.
Apesar de já ter visto um comentário na SIC sobre os paraísos perdidos, confesso que não estava preparado para o que encontrei.
Depois de entrar no seu interior, a imagem é desoladora: ruína, abandono e sinais de vandalismo. Do antigo convento restam hoje algumas paredes que teimosamente permanecem de pé, testemunhando aquilo que um dia ali existiu.
Estamos a falar de um convento do século XIV, o terceiro fundado em Portugal pela Ordem Franciscana. Um lugar com séculos de história, escondido na encosta de Santa Luzia e que, infelizmente, parece ter sido esquecido pelo tempo e por todos nós.
Há dezenas de anos que ninguém parece querer saber dele. Pior ainda, muitos dos que vivem ou visitam Viana do Castelo desconhecem sequer a sua existência.
O património não é apenas aquilo que está restaurado, iluminado e preparado para receber visitantes. É também isto: lugares esquecidos, onde cada pedra conta uma parte da nossa história.
Talvez esteja na altura de voltar a olhar para o Convento de São Francisco do Monte. Antes que aquilo que ainda resta deixe também de existir.
Perante aquilo que encontrei, em Viana do Castelo, não consigo deixar de fazer uma pergunta: onde estão os responsáveis pela conservação do nosso património?
Não falo apenas deste convento. Falo de tantos outros lugares históricos espalhados pelo país, que vão lentamente desaparecendo perante a indiferença, o abandono e, em alguns casos, o vandalismo.
Portugal possui um património histórico, cultural e arquitectónico extraordinário. Igrejas, conventos, capelas, pontes, solares, moinhos, fontes, fortificações e tantos outros testemunhos de séculos de história. Mas é notório que ainda não aprendemos a olhar para esse património como aquilo que verdadeiramente é: um legado que recebemos e temos a obrigação de entregar às gerações futuras.
E aqui está uma das nossas maiores contradições.
Somos capazes de celebrar o património quando ele está restaurado, iluminado e pronto para receber turistas. Somos capazes de promover monumentos e localidades, falar de identidade, cultura e memória. Mas, longe dos circuitos turísticos, existem centenas de lugares a degradarem-se ano após ano.
É como se esperássemos que a ruína chegasse a um ponto em que já não seja possível fazer nada.
Pergunto: será falta de dinheiro? Falta de vontade? Falta de planeamento? Ou simplesmente falta de consciência sobre aquilo que estamos a perder?
Quando atravessamos a fronteira e vemos a forma como os nossos vizinhos ibéricos valorizam e recuperam muitos dos seus espaços históricos, não podemos deixar de questionar a nossa própria atitude. Não se trata de copiar ninguém. Trata-se de reconhecer que preservar o património é preservar a nossa identidade.
Um monumento abandonado não desaparece apenas fisicamente. Desaparece também uma parte da nossa memória colectiva.
E cada parede que cai, cada pedra que é roubada, cada espaço vandalizado e cada edifício histórico que se perde representa uma página da nossa história que deixa de poder ser lida.
Até quando vamos deixar a nossa história desaparecer do nosso futuro, como areia a escorrer por entre os dedos?
O património não pertence apenas ao Estado, às autarquias ou às entidades responsáveis pela sua conservação. Pertence a todos nós. Mas quem tem responsabilidades públicas tem, naturalmente, uma responsabilidade acrescida: identificar, proteger, conservar e dar futuro àquilo que não pode ser substituído.
Não podemos continuar a aparecer apenas depois da ruína.
É preciso agir antes.
Porque restaurar património é importante.
Mas impedir que ele desapareça é ainda mais importante.

Reinaldo
03/09/2026 13:20

1

Ana
26/08/2026 18:44

É um lugar magnífico, mesmo degradado valeu a pena a aventura de conhecer.

Reinaldo
24/08/2026 12:12

Nota: Se mesmo no estado em que se encontra é bonito, imaginem se fosse cuidado.

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