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Reinaldo
Aberto

As Mulheres da Minha Vida

13/06/2026
Fotografia Composição
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Poderia escrever sobre Mahatma Gandhi ou sobre Madre Teresa de Calcutá. Poderia falar de grandes figuras da História, pessoas que marcaram gerações e deixaram um legado universal. Mas hoje quero falar das mulheres que marcaram a minha história. As mulheres que me ensinaram, protegeram, desafiaram e amaram. As mulheres que me deram estrutura para amar e respeitar as que ainda cá estão.
Cada uma delas deixa uma marca em mim. Nem sempre perfeitas, porque a perfeição não existe. Mas todas extraordinárias naquilo que me dão.
A minha mãe, Maria José, foi a primeira grande educadora da minha vida. Foi uma mãe exigente, firme, muitas vezes rígida. Na altura nem sempre compreendi as suas decisões. Muitas vezes achei que podia ter sido mais branda, mais permissiva. Hoje percebo que foi precisamente essa firmeza que me deu estrutura.
Foi ela que me ensinou a levantar-me quando a vida me derrubava. Que me ensinou que o mundo nem sempre é justo e que “ninguém” nos dá nada de borla. Foi ela que me preparou para aguentar as pancadas da vida sem perder a dignidade nem o rumo. A sua educação não me poupou às dificuldades; preparou-me para enfrentá-las.
Depois houve a Rosa Branca, a minha sogra. Aquela que começou por ser "a mãe da minha mulher" e acabou por se tornar uma segunda mãe para mim.
Tive o privilégio de a ajudar a cuidar nos últimos tempos da sua vida, e talvez tenha sido aí que mais aprendi com ela. Nunca viveu para provar que era melhor do que os outros. Nunca precisou de palco nem de reconhecimento. E talvez por isso tenha sido tão grande.
Ensinou-me uma perspetiva mais leve da vida. Mostrou-me que a felicidade não está em vencer todas as batalhas, mas em saber viver cada dia com simplicidade e alegria. Não tinha a pretensão de ser a melhor, embora tenha sido excecional em tudo aquilo que fez ao longo da sua vida.
A minha irmã Clara, a minha "Mana Velha", ocupa um lugar único. Há irmãos e há os que vão muito para lá disso, e tornam-se nossos amigos. Ela consegue ser as duas coisas.
Foi muitas vezes uma segunda mãe quando a vida exigiu mais do que eu conseguia dar sozinho. É a voz do outro lado do telefone nos domingos à noite. A confidente que escuta e me abre os olhos. A pessoa que conhece os meus silêncios tão bem quanto as minhas palavras.
Há pessoas que nos ajudam porque podem. Ela ajuda porque faz parte da sua natureza. Sempre foi um porto seguro para mim.
A minha tia Gracinda ensinou-me sem nunca me dar lições. Ensinou-me através do exemplo.
A sua calma, o seu sorriso permanente e a sua paz interior sempre me impressionaram. Numa sala cheia de ruido, a tia entrava e com ela entrava a serenidade.
Sem saber, mostrou-me que a força não está na voz mais alta nem na opinião mais firme. Muitas vezes está precisamente na tranquilidade, na capacidade de ouvir, de compreender e de manter a paz quando tudo à volta parece querer transformar-se em conflito.
Depois há a minha filha Maria.
É impossível olhar para ela sem sentir esperança. Vejo-a crescer forte, determinada e feliz, construindo a sua própria identidade, mas transportando consigo um pouco de todas estas mulheres extraordinárias.
Vejo nela a determinação da Maria José. O sorriso fácil e a alegria da Rosa Branca. A estabilidade emocional da tia Clara. Quanto serenidade da tia Gracinda, ainda está a trabalhar. Mas a vida é grande e ela tem uma pela frente.
Ela é a prova de que o melhor que deixamos aos nossos filhos não são bens nem património. São exemplos. São valores. São as sementes invisíveis que passam de geração em geração.
E, por fim, a Ana Maria.
A minha companheira. O meu esteio. A mulher que caminha ao meu lado há mais de três décadas. São trinta e três anos de vida partilhada, de alegrias, desafios, conquistas e derrotas. Trinta anos de construção diária.
A Ana tem a paciência de uma leoa. Não a paciência de quem se resigna, mas a de quem observa, espera e escolhe o momento certo para agir. Ao longo destes anos protegeu-me quando precisei de proteção. Empurrou-me quando precisei de coragem. Travou-me quando o entusiasmo ameaçava afastar-me do caminho.
Sempre esteve no lugar certo. Nem à frente para mandar, nem atrás para seguir, mas sempre a meu lado.
Estou feliz por ter encontrado alguém que acredita em nós mesmo quando nós próprios duvidamos. Alguém que conhece as nossas fraquezas e, ainda assim, escolhe participar. Quando olho para a minha vida percebo que sou, em grande medida, o resultado destas mulheres.
Da força da minha mãe.
Da alegria da minha sogra.
Da estabilidade da minha irmã.
Da serenidade da minha tia.
Da esperança da minha filha.
E do amor firme da minha companheira.
Se hoje consigo enfrentar as dificuldades, celebrar as vitórias e continuar a caminhar, devo-lhes.
Porque os grandes alicerces da nossa vida raramente aparecem nos livros de História.
Vivem nas nossas casas.
Sentam-se à nossa mesa.
Atendem os nossos telefonemas.
Seguram a nossa mão quando vacilamos.
E amam-nos de uma forma tão profunda que acabam por nos ensinar a amar também.
Obrigado

Martha Thorms
20/07/2026 07:13

Não tens de agradecer, comento porque acho que este post tem de se manter vivo.

Reinaldo
10/07/2026 18:11

Obrigado Martha mas o que é dito com o coração não pesa na tinta deixada no papel.

Martha Thorms
19/06/2026 16:34

Bonito teres feito este post das tuas mulheres.
Respeitar as mães, tias ou sogras é de grande valor.
Maior ainda é respeitar esposa. Mas aprender a respeitar as filhas é o máximo.
Obrigada Reinaldo

teresa pereira
19/06/2026 13:10

Confesso que, depois de ler este panegírico, não pude ficar indiferente e não consegui evitar o lacrimejar dos meus olhos. Com certeza por nunca ter enaltecido as mulheres da minha vida. É bom reconhecer que foram elas que nos ajudaram a ser quem somos. É bom amar, agradecer, respeitar, reviver e sentir que hoje somos o que somos graças a elas. Algumas mulheres da tua vida, já fazem parte da minha, outras conheço apenas das memórias que não deixas morrer. Que bom conhecer alguém que tem e espalha valores e que contribui para que a vida em sociedade não seja em vão.

Ana
16/06/2026 08:57

O meu ego cresceu um pedaço.
Faço minhas as tuas palavras em relação a ti.
Obrigada

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